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domingo, febrero 07, 2010
CONCEITOS EQUIVOCADOS
Há muita coisa errada hoje em dia. E uma delas é odiar o Galvão Bueno. Particularmente, eu gosto muito de assistir a jogos de futebol ou corridas de Fórmula 1 com o Galvão. É claro que o Cléber Machado é ótimo, engraçado e carismático. Mas o Galvão em si é uma instituição que caminho junto ao esporte brasileiro. Feito este pequeno preâmbulo,vamos aos fatos. Você consegue imaginar o Luiz Roberto narrado uma final de Copa do Mundo? Consegue achar graça na possibilidade de o Roby Porto – aquele que só narra futebol de areia no domingo de manhã – narrando a final do seu time na Libertadores? Não, né? Nem eu, e nem quero. Aí, dizem que o Galvão é muito torcedor. Pelo amor de Deus, que bando de gente chata. É claro que ninguém quer um zé graça como o Renato Maurício Prado na TV, mas também não dá pra esperar uma narração de jogo da Seleção sem torcida, né? “Olha aí, torcedor brasileiro, o gol do Nilmar. Pra você, que está torcendo pela Ucrânia, não fique triste.” Ora, tenha dó! É muito especialista de computador, viu? O sujeito que assiste a um jogo do Brasil está torcendo. O Galvão está torcendo? Ora, que torça comigo – e, de quebra, ainda fale quem são os ucranianos, porque eu não sei o nome de praticamente nenhum. Exemplo: Brasil e Holanda na Copa de 98 – vídeo recomendado pelo Gustavo Antônio, o Goa, que trabalha comigo. Assistam aí: “Kluivert bateeee-eee-eeeu…” Sem brincadeira: foi um dos maiores jogos que eu vi na minha vida, e é uma das maiores narrações que eu já vi. O que seria desse jogo sem o Galvão torcendo? Sem berro? Pô, quem não ficou louco vendo esse jogo, simplesmente não gosta de futebol. Se eu encontrar alguém que diga algo como "pô, o Galvão tinha que berrar menos nesse jogo", juro que dou uns tapas! “Ah, só no Brasil é que narrador fica torcendo no ar”, diz algum especialista de computador. OK, isso é um jogo na Itália, que alguém pode ter visto na TV: Também conhecido como “narrador chihuahua”, segundo Tiago Leifert E esta é uma narração na sempre isenta e invejada Inglaterra, que consegue transformar um jogo histórico em algo bastante sem graça – mesmo assim, como um senhor grito de “he scores” no último gol: O Palmeiras x Vasco da FA Cup Berrar, todo mundo berra. Torcer, todo mundo torce. Gritar, todo mundo grita. Não querer que o Galvão Bueno faça isso é viadagem e hipocrisia. Ele tem muita coisa chata, como inventar esses jargões dos quais só ele gosta – aquele negócio de faca entre os dentes e coisa assim. Mas não querer que o cara torça? Ah, vá assistir vôlei!
Por EMANUEL NOVAES às 4:46 PM
| lunes, febrero 01, 2010
O CORINTHIANS VAI GANHAR A LIBERTADORES
Chegou a hora? O Corinthians esteve longe, bem longe, de fazer um jogo brilhante contra o Palmeiras. Esteve com um a menos durante quase todo o jogo. Tomou sufoco. Foi pressionado. Mesmo assim, venceu por 1 a 0 e derrubou um tabu que durava mais de três anos. É mais ou menos este o perfil do Corinthians que começa 2010, ano em que o time comemora seu centenário. Mais do que nunca, a torcida quer, espera, exige um grande time e a conquista da Libertadores. E é o que deve acontecer. Antes de mais nada, pensemos no planejamento da equipe. Eu não sei se a contratação de Ronaldo, Roberto Carlos e outros vai deixar um rombo imenso nos cofres do clube em pouco tempo – até acho que sim, mas os 128 patrocinadores na camisa parecem colocar por terra esta possibilidade. Independente dos resultados “administrativos” das contratações, é preciso admitir que o elenco é forte. Mais até do que o time arrumado e entrosado do primeiro semestre de 2009. Mas fora os ex-selecionáveis (esqueçam, eles não vão para a Copa do Mundo), o Corinthians tem um time bastante competitivo. Felipe é midiático e chato, mas só faz espetáculo em suas defesas porque elas existem. Alessandro é um lateral discreto e confiável. William e Chicão são seguros. Jucilei e Elias já mostraram talento e combatividade, e ainda contam com a concorrência dos estrangeiros Marcelo Mattos (este, em crise com a torcida) e Edu. Defederico resolveu jogar futebol e superou a intranqüilidade. Dentinho e Jorge Henrique conseguem aparecer, mesmo ao lado de Ronaldo. Some-se a isso Mano Menezes. Técnico de perfil discreto, o gaúcho está há mais de dois anos no Corinthians, e conseguiu dar uma cara à equipe – mais ou menos como Felipão fez no Palmeiras ou Muricy Ramalho fez naquele insosso time do São Paulo. Todo mundo sabe que, apesar das duas linhas de quatro, Mano tem zagueiros rápidos, volantes que sobem e um meia que encosta nos atacantes. Há ainda que se considerar os reforços e reservas que o treinador tem à mão. Iarley é o típico jogador que a torcida do Corinthians adora. Tcheco pode não ter caído nas graças da torcida, mas é o homem de confiança de Mano Menezes. Balbuena e Escudero estão abaixo de seus titulares (aliás, a comparação entre Roberto Carlos e Escudero seria até cruel), mas a experiência internacional pode pesar. No ataque, Souza e Bill... OK, não tem muito o que elogiar desses dois. Nem com boa vontade. Se o time do Corinthians entrasse em campo vestido de Grêmio no Estádio Olímpico, certamente já seria dado por todo mundo como campeão. Certo, o time é apontado como favorito ao título de qualquer forma – e não serão São Paulo ou Flamengo que irão mudar essa escrita. Mas essa vontade desesperada de ser Boca Juniors, de achar que é argentino e que é a torcida mais fanática do mundo é exatamente o que pode complicar a caminhada do Corinthians rumo ao título inédito. Antes de mais nada, pelo excesso de confiança da torcida pela ausência do próprio Boca Juniors. Imagina-se que a ausência dos boquenses coloque o título no colo dos brasileiros – e do brasileiro mais forte na disputa, o Corinthians. Bobagem. Basta lembrar que, nos últimos quatro anos, o São Paulo deixou a briga pelo título após enfrentar um time brasileiro. O Fluminense perdeu a final para a LDU após eliminar o Boca de forma brilhante nas semifinais. E o Cruzeiro perdeu no Mineirão para o tradicional – apenas isso – Estudiantes. Ou seja: o Boca Juniors pode até ser um parâmetro, mas precisa ser analisado de forma inteligente. Segundo ponto: jogar em casa. Muito se fala sobre a importância de jogar na altitude, muito se fala de bons resultados na Argentina. Mas o Paysandu foi eliminado de forma vexatória no Mangueirão após vencer o Boca Juniors em La Bombonera. O São Paulo perdeu para o Inter o jogo da final no Morumbi. O Cruzeiro perdeu para o Estudiantes no Mineirão, o Fluminense perdeu para a LDU, o Grêmio perdeu para o mesmo Boca no Estádio Olímpico no time (fraco) de Mano Menezes... Sim, Libertadores se ganha em casa, e a torcida do Corinthians sabe disso. Sabe, porque a traumática eliminação de 2006 diante do River Plate no Pacaembu ainda não saiu da memória. Na ocasião, o forte time montado pela MSI levou três do River de Gonzalo Higuaín (sim, o do Real Madrid), deu adeus e viu a torcida rosnar nos portões do Pacaembu. E jogar no Pacaembu pode ser uma ótima pedida (especialmente por ter maior identidade do que o Morumbi), mas também pode ser um desastre. Explica-se: em um cenário não tão improvável, o Corinthians empata fora de casa e traz um bom resultado do Pacaembu. Empolgada, a torcida contagia o time, que entra em campo mais tranquilo – de forma justa. Mas eis que, em meio a este relaxamento, algum Gonzalez da vida faz 1 a 0 para os visitantes. Não demora muito para que a torcida exploda e pressione o time, o que pode afetar jogadores fundamentais formados no elenco, como Dentinho. Ao invés de apoio, o Corinthians tem 40 mil torcedores gritando palavras de ordem e mandando o título para o ralo. Ou seja: se a torcida não tiver paciência e inteligência, pode ser a principal vilã do forte Corinthians. Particularmente, eu ainda acredito que isso não será problema. Já afirmei publicamente que acredito no título do Corinthians – ninguém forma uma equipe tão forte pra ficar nas quartas de final. Hoje, é o time mais forte da América do Sul e tem poucos problemas a superar. A apresentação “para o gasto” contra o Palmeiras é prova disso. Mas é preciso saber: o time ainda tem problemas a resolver, e resolvê-los logo é dar apenas mais garantias de que o Corinthians não vai sucumbiu à maldição do centenário.
Corinthians joga para o gasto, mas só perde a Libertadores se tropeçar na empáfia das próprias pernas
Por EMANUEL NOVAES às 1:23 PM
| viernes, enero 15, 2010
O SOL NA CASA DE MARTE
Cenário: meu apartamento. Uma manhã qualquer. Toca o telefone. Do outro lado da linha, uma amiga minha. Ela: E aí, Mané! Tá em casa? Eu: Tô. Ela: E tá fazendo o quê? Eu: Descascando. Eu poderia explicar que sou apenas uma vítima do sol forte do final de semana. Mas incentivar a mente suja das pessoas é bem mais legal.
Por EMANUEL NOVAES às 12:03 AM
| martes, enero 12, 2010
A MAIS TRADICIONAL FESTA DO ATLETISMO DE RUA BRASILEIRO (OU ALGO ASSIM)
Nunca corri a São Silvestre. Até pretendo um dia, mas se eu correr mais de um quarteirão, já sinto vontade de vomitar meus pulmões. Mesmo assim, a São Silvestre tem algo de muito legal – e talvez por isso seja tão legal trabalhar na cobertura da mesma, como eu pude fazer mais uma vez em 2009 (clique aqui e veja quase todo o resultado). Começando pelo fato de que os jornalistas que trabalham no Ano Novo dificilmente trabalharam no Natal, e passando pelo fato de que não há praticamente nada pra se fazer no Natal, o ambiente da São Silvestre costuma ser bem bacana. Desde os dias que a antecedem, nos quais a gente descobre quem serão os favoritos, até o dia da mesma, em que desfila com o coletinho da organização de bloco e caneta em mãos. Na de 2009 não foi diferente. Na véspera, coletiva com brasileiros e estrangeiros, no qual pude reencontrar alguns amigos do meio – Carol estava lá, assim como Shrek e Ceccon, por exemplo. E durante a entrevista, a goiana Marizete Rezende desceu a lenha nos cabeças do atletismo brasileiro, reclamando da falta de apoio, de investidores e de tudo mais. Pode parecer um pouco repetitivo, mas o assunto só é recorrente porque é importante e porque a questão nunca sai do lugar. E como nem tudo são flores para quem estava na coletiva a trabalho, a turma presente acabava se perguntando se os quenianos falam inglês, já que era difícil (pra não falar impossível mesmo) entender o que James Kipsang e companhia falavam. Para piorar, piadas inconvenientes no fim da sessão – e que não merecem menção maior por aqui – serviram pra nos encher de vergonha. Enfim, eis o dia da corrida e a sessão mais legal: procurar os anônimos bizarros na Avenida Paulista. Gente que paga pra correr, veste uma fantasia, chega ao Masp quatro horas antes da largada e fica lá fazendo a festa. Pode parecer clichê, mas esse pessoal é realmente divertido – caso do goiano que se vestiu de torre de transmissão e de tantos outros. Mas nada me chamou mais a atenção do que os quatro argentinos que correram em família. Adrian Carluccio, Federico Carluccio, Eduardo Pace e Alex Mela vieram de Buenos Aires só para correr a prova, à qual teceram vários elogios. Achei simpático entrevistar os quatro. Quando posaram para fotos, até me chamaram para sair junto. No fim, Eduardo Pace, de 75 anos, se despediu de mim com um abraço, um beijo no rosto e votos de Feliz Ano Novo. Sério, torceria até pra eles ganharem a corrida! Mas não deu pra eles. Na sala de imprensa do Teatro Gazeta, assistimos à vitórias dos quenianos James Kipsang e Pasalia Chipkorir – esta, quase uma anã, com 1,42m e míseros 37 kg. Por lá, encontrei de novo o Shrek, que estava lá pelo Agora São Paulo e com quem tirei a foto abaixo. A foto é de celular, então desconsidera a qualidade da mesma, OK? Enfim, foi um dia de correria. Passadas as coletivas (mal organizadas, é bom que se diga), voei de volta pra casa (que não é tão longe da Avenida Paulista) e escrevi as notas referentes ao, digamos, “pós-prova”. Terminada a sessão, eu me despedia do meu apartamento-bunker-escritório para beber o Ano Novo com os amigos, certo de que a terceira São Silvestre que eu cobri na vida foi mais uma vez o máximo.
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